Hiato

 Não é linear.

Quatro anos se passaram e o que eu pensei que estava adormecido, acordou. Estranho ver alguém tanto tempo depois, não sentir as mesmas coisas, mas sentir as fagulhas que surgem. É realmente muito estranho. Acabei de vir da faculdade, fiquei pensando num monte de coisas dentro do ônibus, uma delas foi de como eu não queria morrer sabendo que metade da minha vida foi dedicada a sofrer por homens ou dedicar minha vida a eles.

A parte de 4 anos atrás que se arrependeu de não ter transado, transou 4 anos depois e pasmem: nem foi tão bom assim. Sempre a expectativa sendo confrontada com a realidade e a realidade sempre ganhando. Mesmo não sendo tão bom assim, me vi mais uma vez presa na sensação do "se", ainda que eu saiba que dessa vez o "se" é ainda mais irreal que 4 anos atrás. 

Esse ciclo de dependência emocional tem me feito muito mal há muito tempo, principalmente quando meus amores deixaram de ser platônicos e eu passei a externalizar o que sentia para eles. Eu tenho uma coisa que quanto mais rejeitada eu me sinto, mais eu quero e eu já pesquisei isso cientificamente e é algo com dopamina e recompensas. Grande parte da minha vida foi amando sem ser amada, até mesmo quando eu quis ter algo com William, eu continuava sendo a que ama e que aceita que não me ame, achando que em algum momento a chave viraria e se tornaria amor.

Hoje eu peguei um Uber e a motorista era uma mulher e eu contei pra ela meu causo com Pablo e como foi nosso relacionamento, como o fato da gente morar com minha mãe atrapalhou muita coisa, como eu era imatura, como eu acreditava em conto de fadas aos 23 anos e ela estarrecida com a possibilidade que mesmo sendo uma adulta, eu ainda fosse deslumbrada com essa possibilidade. Ela me contou que era casada há 31 anos e que sabe muito bem que não vive um conto de fadas, mas que na verdade só se vive o conto. Fiquei pensando nisso, fiquei pensando em como talvez em outros tempos e com mais amadurecimento, eu e Pablo poderíamos ter dado tão certo. Apesar de tudo, Pablo foi o homem que mais me tratou bem e a quem até hoje eu posso contar.

Eu tenho feito algo que todo mundo condena que é conversar com o ChatGPT sobre esse causo último e apesar das problemáticas, tem sido bom trazer à reflexão certos pontos sobre. Tenho voltado para o ciclo de achar que só tenho valor quando esse causo último me dá migalhas e isso é a pior coisa que alguém pode sentir. Já não faz sentido há tanto tempo, mas a coisa continua dentro. 

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