Ah, o mar!
Começou estranho, começou parecendo quase como um sonho. Tentei me enganar como quem tenta acreditar que cobre é ouro. Coloquei todas as minhas cartas na mesa, falei todas as possíveis jogadas, eu fui tão límpida e clara quanto o oceano pacífico mesmo que o meu íntimo dissesse que não, que aquilo era só mais um jogo com integrantes diferentes. Eu quis mesmo, eu quis acreditar numa falsa ilusão composta por palavras bonitas e uns gestos de quem parece querer jogar o jogo de forma limpa. Ledo engano. Quando percebi, já não estava mais ali, quando dei por mim, tinha mergulhado num mar revolto, quando vi, estava me afogando em mar aberto e quanto mais eu tentava gritar por socorro, mais eu engolia água. Esse é o preço que se paga por se jogar num revolto, o preço que se paga por sequer estar com um colete salva-vidas. O mais irônico é que o colete me foi entregue em mãos, eu segurei, eu senti e não quis vestir. É impossível querer que a natureza aja contra a sua natureza. O mar é o mar e é...