Resmorcídio
Madrugada. Tomo uma decisão e ajo. Caminhar nas ruas desertas do meu bairro seria conveniente. Fecho as janelas da sala, tranco as portas e saio. Encontro o que eu esperava: o bairro totalmente deserto. Interessante mesmo é o fato de eu estar buscando perigo, buscando adrenalina, buscando algo que fuja da normalidade, dessa minha triste normalidade. Eu quero o perigo, eu quase o respiro, mesmo vendo as ruas desertas, sei dos riscos aos quais estou submetido. Nunca soube dizer categoricamente se sou um anjo ou um demônio. Por que surgiu essa afirmação agora? Ora, pois, estou buscando a morte, farejando, sentindo-o a dentro da minha alma. Anjos de morte são demônios, certo? Mas minha aparência e gestos provam o contrário. Transpiro o que poderíamos chamar de “angelicadeza”, então por isso afirmei não saber minha definição. Até fico balançado pela ideia de voltar ao meu ‘lar, doce, lar’, embora a morbidez que vive dentro de mim fale muito mais alto e acabo permanecendo na caminhada ...