Dolcezza
Presa em um quarto com paredes brancas e nenhuma mobília, ela pensa em quem poderia tê-la prendido ali. Mas ninguém vem a sua mente e depois ela acaba acreditando que prendou a si, não num quarto branco, ela acredita estar presa em seus pensamentos, em suas lembranças vagas, em acontecimentos não acontecidos, em pessoas desconhecidas, em tudo o que não convém e tudo isso chega no quarto branco onde ela está encarcerada e que por algum instante quase sufoca pelas imagens nada significativas que chegam torrencialmente. Ela quer se libertar, ela está lutando por isso, mas o esforço é em vão. Ela tenta ir para o início para poder raciocinar como chegou a esse estado de latência, como conseguiu aprisionar-se e o porquê dessa cor tão incômoda aos seus olhos. Então ela descobre que não há um início, pois ela sempre esteve aprisionada ali, mas o despertar por essa ideia a faz perceber que se notou que não tem início, agora ela pode criar um final, uma saída da prisão, logo agora, agora que ...