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Mostrando postagens de 2015

Um Mês de Cada Vez

Estava tentando despertar o poder da cura que existe em todos nós, então percebi que perdoei num mês e perdoei outra vez no mês seguinte. Quando sonhos são recorrentes e você se vê numa situação incabível, nota o quanto teu subconsciente tá perturbado. Quatro anos se passaram e o que eu mais quero agora é recomeçar, terminar as coisas inacabadas e ser feliz de verdade, porque quando você escolhe ser feliz, você consegue ser.  Tudo isso aqui vai parecer bastante melodramático, mas não tive como reprimir, então vai sair assim mesmo. Notei que o mundo gira lento e às vezes ainda mais devagar, mas o que reconforta é que ele gira independente do tempo. Quero viver, mesmo que seja devagar, mesmo que seja um mês de cada vez, mesmo que perdoando só uma pessoa por vez. Quero me livrar dos pesos que suporto nas costas das angústias que sempre carrego, quero escolher ser feliz e despertar meu poder de concretização. Acho que agora posso ficar bem e ficar bem significa viver...

Das Cartas de Amor

Sentindo o sentido ainda que sozinha sobre as percepções desapercebidas e dos toques intocáveis. Das vezes desavisadas e dos amores descabidos. Do estar sem permanecer e da dúvida não esclarecida. Dos desafetos afetuosos. Do sim e do não. Da dualidade apolar. Dos escritos vazios e das noites vazias. Dos lugares inóspitos e dos casos nunca vividos. Da arte incompreendida e do desejo resguardado da alma. Da tua alma.

Areia Movediça

Envolvo-me nos pensamentos das situações que nunca serão vividas e costumo cair no abismo sem volta. Hoje, o que nos torna o que somos é só esse barril de sentimentos ou esse oco descomunal. E quando se vive nessas duas realidades uma hora ou outra acaba se tornando insustentável. Todas essas ilusões que anseio e almejo ao lado de seja lá quem for o da vez, me faz perceber que isso também é um escapismo do qual nunca consigo me libertar e libertar-vos. Queria plenitude de ser uma pessoa sã e segura de si, mas esse complexo masoquista passou a ser meu principal companheiro e quanto mais desejo ir, mas me afundo tal como numa areia movediça. Eu só enxergo que estou afundando, mas nada posso fazer para sair. Eu só afundo e afundo, esperando que antes de sufocar, alguém estende os braços e me puxe. Sonho com o dia desse acontecimento, mas na verdade sei que não passa de um mero sonho. Um dia eu vou afundar a ponto de submergir na lama e vou sufocar, sufocando tudo o que um dia ache...

Atemporal

Tenho estado tão confusa ultimamente. É bem provável que minha ideia de ter e sentir tenha modificado a minha compreensão de viver.  Aquelas ruas que um dia foram tão bonitas, hoje em dia são só neblina e árvores de final de outono. Procurei por tanto tempo um significado dentro de mim que desse significado a essa vida, mas nunca encontrei. Meus sonhos têm sido estranhos, não mais consigo interpretá-los e vez por outra a imagem daquele moço aparece neles, embora eu não saiba o porquê.  Num passado remoto, tudo o que eu queria era realizar meus sonhos antes de falecer, hoje em dia eu só quero falecer antes mesmo de realizá-los. Livros, faculdade, trabalho, filmes, séries, jogos, drogas, festas... Nada disso mais me preenche e o buraco parece crescer cada vez mais.  Meu quarto é meu refúgio e se eu pudesse, não sairia mais dele. Sei que por vezes me sinto assim e sempre esse sentimento pesado vai embora e fica em algum lugar por tempo determinado. Esse é o pr...

Remember Me

Clarice se perdia em pensamentos quando chovia. Ela fazia da nostalgia sua morada, só que essa nostalgia costumava ser aterradora. Reviver o que não se deve reviver, costuma ser torturante e ela era masoquista. Eu sempre observei Clarice, mas nunca cheguei a uma conclusão plausível do porquê sempre torturar-se com lembranças tão tristes e ela às vezes me explicava que isso era uma forma de lembrar que ela estava viva, porque se doía, era porque sentia e se sentia, era porque vivia. Casualmente falava que tomar banho de chuva fazia com que ela visse ao longe uma imagem que ela gostava de ver. Essa imagem nunca foi vista por mim e ela nunca fez muita questão de me descrever. Clarice era doce, ingênua e indolente. Sua vida era pautada em lembranças, ela vivia os passados e por sempre vivê-los, esses passados eram sempre presente e futuros. Lembro que uma vez ela tentou de todas as formas divergir daquilo que era acostumada, mas foi uma fracasso. Era noite, a chuva que ela tanto gost...

Aquário

Queria mudar e ser outro alguém, porque todos os dias paro de me reconhecer naquilo que sou. Também já quis a sorte de um amor tranquilo, mas hoje eu só almejo a tranquilidade de não ter um amor. Os peixes morrem pela boca e essa é uma das características que me une a eles. Notei que sou tão fútil quanto as pessoas que recrimino por serem fúteis e percebi o quão hipócrita eu sou. Odeio mentiras, mas só agora noto quão metida eu vivo dentro de mentiras. Mentiras absurdas, histórias fantasiosas e realidades utópicas é tudo o que mais me atrai e me põe dentro de um ciclo vicioso. Foi tudo mentira, desde o começo. Toda a história que carrego é mentira, minha vida é uma mentira, eu sou uma mentira. Pensava que escolhendo outras configurações, eu pudesse ser diferente e agir totalmente contrária ao que eu pareço ser, mas eu nunca serei o aquário que carrega toda a experiência dos peixes que habitaram ali, eu sempre serei o peixe que permite ao aquário decidir sobre me abrigar ali ou...