Deixando pra Depois
Já tem um tempo que tudo tem ficado pra depois na minha vida. A academia fica pra depois, o TCC, meus planejamentos, meus estudos pessoais, minha espiritualidade, minha aspirações, tudo o que me apetece acaba ficando pra depois, absolutamente tudo. A vida inteira tá ficando pra depois, até mesmo porque eu tenho uma crença ferrenha de que minha vida mesmo só vai começar depois de entregar o TCC, como se eu já não estivesse vivendo.
Há um hábito esquisito de sempre atribuirmos valor às infelicidades e esquecer o que de bom existe pra gente né? Eu me sinto meio ingrata e comiserativa quando percebo-me remoer em meio às reclamações e angústias que me acometem. Meu psicólogo disse que eu tenho muita ansiedade pelo final e começo, mas eu esqueço de viver o processo, esqueço de saborear o caminho até lá e eu nunca tinha me colocado nessa posição tão assertiva que ele me trouxe e me identifiquei demais.
Eu já quis ser muitas coisas e todas as coisas de esvanecem. Eu deixei a menina de 14 anos e eu acho que naqueles 14 anos eu pude ser tão quem eu gostaria de ser sem o medo de não ser o esperado. À época era gostoso sonhar e viver nessa imaginação e foi com essa imaginação que eu consegui co-criar algumas coisas. Sinto falta de mim nos 14 anos, sinto falta de sentir a vida antes de sofrer por amores, sinto falta de gostar de estudar, sinto falta de almejar, sinto falta de ser ela, de ser quem eu deveria ser agora.
Hoje eu sinto o sofrimento do inacabado todos os dias que eu paro pra pensar no que não fiz e no que deveria ter feito, hoje eu sinto que muitas coisas se passaram sem que eu percebesse o processo e sem que eu vivesse o caminho que me fez chegar até aqui. Uma vez eu disse pra Pablo que era como se eu tivesse ido dormir gorda e simplesmente acordasse obesa, porque eu nunca me dei conta do que eu tava fazendo com o meu corpo até chegar aqui, eu nunca me dou conta desse processo, eu sempre reprimo e seja lá como for, eu sempre desperto num pulo.
Talvez parte de mim esteja meio adormecida dentro de mim mesma e talvez eu ache que um dia essa parte vai acordar de uma vez por todas e enquanto isso não acontece, eu continuo aqui acordando num pulo de todos os processos pelos quais eu deveria perceber antes que o final enfim chegue.
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