Cinnamon Girl
Rejeição.
Desde que minha terapia começou, muitas coisas aconteceram e isso é fato, mas eu não sabia que minha terapia tava ancorada na questão das minhas feridas emocionais por todas as rejeições que eu já passei e como eu replico essa rejeição. Muitas coisas têm me ajudado, não somente a terapia, mas minha conexão com a espiritualidade, a confiança no Universo e de como as coisas que se rearranjam para acontecer, acontecem porque realmente tem um propósito.
Eu acho que é a primeira vez que eu realmente consigo enxergar minha responsabilidade em tudo, em como não faz sentido tornar todo mundo vilão, em como ninguém me obrigou a nada e como tudo o que já aconteceu, aconteceu porque eu permiti que acontecesse.
Sim, não é fácil admitir que a realidade é que eu não sou a grande coitadinha que eu sempre narrei, que eu me coloquei, que eu deixei acontecer. A narrativa da grande vitmista, essa narrativa que bem, teve sua função pelo tempo que ficou e eu abençoo, não tinha como ser diferente. Tudo o que aconteceu até aqui, me tornaram a pessoa que eu sou aqui e agora, eu não posso amaldiçoar todas as pessoas que passaram pela minha vida e não agiram comigo da forma que eu queria que elas agissem.
Desde o começo da pandemia, eu tenho aprendido muito. Eu aprendi no antiland, eu aprendi tentando ser puta, eu aprendi com Vinícius, eu aprendi com Léo, eu aprendi muito com Alyson, eu aprendi com Afonso, eu aprendi com Tarlynghton, eu aprendi com Germano, eu aprendi com muitas pessoas e o melhor é que eu aprendo e continuo aprendendo com Pablo. Pablo é o único que me abraça e não me machuca e não tenta, Pablo tá sempre lá quando eu preciso, Pablo tá sempre comigo mesmo estando longe.
O tarot nunca me ajudou tanto, a espiritualidade nunca me ajudou tanto, minha intuição nunca me ajudou tanto e tudo o que aconteceu e tem acontecido, tudo mesmo tem me ajudado tanto e eu consigo genuinamente me sentir grata por tudo isso. Muito grata, muito mesmo.
Poderia demorar muito mais pra acontecer, poderia realmente demorar bem mais pra acontecer, eu poderia levar uma vida inteira e poderia não enxergar as coisas que me cabem, porque eu passei esse tempo todo olhando pro que cabiam aos outros e dispendendo energia no que só dizia respeito ao outro. Até aqui nesse blog, essa é a primeira vez que eu escrevo sobre mim, sobre como eu me sinto, sobre como minha rejeição me trouxe até aqui, como eu cheguei até aqui.
Sempre precisei que algum homem pudesse definir minha inspiração e tudo bem também, já escrevi textos muito bonitos por causa dessas pessoas. O problema não é escrever sobre elas, o problema é nunca escrever sobre mim, porque tudo o que eu sempre passei através das palavras e através daqui, nunca foi sobre mim verdadeiramente, nunca foi. Eu tô olhando pra mim hoje e percebendo que toda essa torrente de sentimentos sempre eram sobre a falta, sobre a rejeição, sobre o vazio, sobre as histórias se repetindo, sobre a criança rejeitada que eu reverberei por tanto tempo e que ainda me perpassa. Autocompaixão. Eu tô tentando entender como é olhar pra mim e me enxergar, como é me olhar e saber o que eu quero e como eu habito esse espaço e esse lugar. Tem um mundo novo chegando e isso me emociona tanto, eu tô preparada, eu me sinto preparada, eu quero muito trilhar essa jornada, eu nunca nem imaginei que pudesse acontecer e tá acontecendo e me acalenta e eu consigo de fato entender o colocar nos braços essa rejeição que Sidney vem falando há um tempo.
Não quero mais falar sobre a falta que a falta causa, eu quero poder escrever como é transbordar na vida, eu quero saber como é experienciar a vida genuinamente sem me ocupar em entender tudo o que se refere ao outro. Pela primeira vez, eu sinto que é por mim, pela primeira vez, eu agi por mim, pelo que é melhor para mim, pelo que me nutre e me abraça.
O script acabou.
Eu sinto tanto que tantas outras vezes eu somente tentei fingir que acabou, que ok, que tava tudo bem, eu quis controlar até o fingir. Muitas vezes quando Sidney falou para mim "mas é isso mesmo?", eu sentia aquilo como um absurdo enorme, porque pra mim se eu tô falando isso é exatamente isso que acontece, mas Léo sempre esteve certo sobre isso, sobre como a gente pode mentir pra qualquer pessoa menos pra gente, isso sim é impossível, é impossível negar pra você mesmo. A única parte que eu ainda não entendi por completo foi o motivo real por querer controlar tudo isso, porque se foi por defesa, esse controle sempre me machucou muito mais do que o normal, como eu posso me machucar ainda mais quando tô tentando me defender?
Resolvi aceitar o que me cabe, Stelio sempre esteve certo sobre "a gente é para o que nasce" e não tem jeito. Eu nunca tinha percebido minha autorejeição até começar a falar sobre isso com Sidney. Muitas coisas até agora, mas percebi que geri consciência sobre coisas tão importantes de serem vistas, ainda que haja uma hesitação pelo caminho, ainda que não pareça tão certo, eu tô disposta a tentar, a cair algumas vezes no meio do caminho, mas levantar como uma criança que enquanto tenta andar, cai e cai, mas ela sempre levanta, ela intrisicamente tem a inteligência e confiança de que em algum momento ela vai conseguir caminhar sem perder o equilíbrio e cair. Obrigada, Universo, obrigada por permitir que eu chegasse até aqui. Que essa jornada seja a jornada que me cabe e que seja somente mais uma das tantas que ainda me cabem.
Um abraço apertado,
Lívia.
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