Efêmero

Já faz um tempo que eu não faço isso, talvez eu tenha perdido o jeito, mas vamos lá...

Eu tava percebendo a superficialidade das coisas, eu ia dizer das pessoas, mas tudo é efêmero. Não tô pronta pra isso ainda, acho que ainda estou aprendendo a viver em sociedade, porque na verdade isso que sinto sobre tudo, só diz respeito a mim, ainda não consegui achar alguém que entendesse o que é durável. Esse semestre tá muito complicado, de verdade, acho que nunca vivi fase pior da minha vida.

Depressão, ansiedade, desilusões como sempre, términos, adeus, inícios com términos rápidos. Não sei exatamente sobre o que eu quero falar nesse texto, mas o que percebo é a relutância em falar sobre isso, porque no fundo eu tenho consciência da quão nada importante isso deveria ser. Vou escrever, porque quero tirar isso de mim e talvez melhore.

Tenho essa mania incessante de idealizar tudo na minha vida e quando se trata de vida amorosa, aí piora a situação. Eu me meti numa cilada que poderia ter sido evitada, isso que é o pior. Deixei-me envolver por algo utópico, pouco provável e o pior: isso tudo que se passa aqui dentro só diz respeito a mim. Mais uma vez a história se repete, 23 anos e a história se repete. Desde o começo sempre foi a mesma coisa, aí veio Guilherme e me desestruturou e talvez ainda desestruture. Tenho esse mal, carrego isso dentro de mim e agora não quero mais. Cansei dessa constante e é a hora fortuita e oportuna para materializar o que ainda não foi materializado referente a mim. 

As causas são múltiplas, as reflexões ainda mais. Quero curtir isso até quando não poder mais. Enfim, o fim aconteceu, enfim refleti positivamente sobre essas ações. Eu comecei a escrever esse texto com outro real intuito, que nada tem a ver com o que eu estou escrevendo agora, mas é nos lampejos da brisa e da madrugada, que as epifanias existenciais tomam forma. O mundo é um moinho. A vida é bem mais do que a gente acredita, o que fazemos dela é o que importa. Dona do meu tempo, só posso eu mesma decidir o que fazer por ele, nada mais importa, mas eu importo muito mais para mim mesma do que qualquer outra coisa. 

O amor é uma dor, mas o amor próprio é libertação das amarras que nos prendem às questões mais platônicas que nossa mente desenvolve. Gostaria de ter percebido isso antes, mas talvez não estivesse na hora. Resiliência. É isto, resiliência. Volto ao estado de consciência sobre mim, volto para quando racionalizamos sobre nossas atitudes e aprendemos a não cometê-las. Não é merecido, não é. Não posso discorrer sobre pessoas as quais foram fantasiadas.

Não é justo fazer da vida uma peça de teatro cujos atores mudam permanecendo os mesmos personagens. A vida é arte, mas não se resume a um roteiro só.

Se dar conta das coisas boas da vida é muito mais que entristecer sobre as coisas péssimas que fazem parte dela também. O mundo é um moinho, repito. A vida corriqueira também é arte. A vida hoje não vai ser a mesma amanhã. É a montanha-russa dos sentimentos, é a roleta russa que a gente torce para não disparar.

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