Estado Latente
Eu pensei e tentei entender o porquê da minha fuga, mas eu não consigo definir nada. Estou perdida a ponto de perder-me em mim mesma, o problema é que não mais consigo me refazer como eu sempre fazia e como era tão habitual a mim. Poderia eu citar inúmeros eventos recentes que me fazem perceber o meu piloto automático, mas não vale a pena, o que vale a pena pra mim hoje é não mais ser nem estar nem permanecer nem ficar e sim deixar ir, deixar que tudo o que habita em mim e fora de mim tomem forma na inexistência. Cheguei ao estado de latência e parece-me que a consequência disso será apenas o meu fim.
Eu gostava de fazer tantas coisas, inclusive escrever, e hoje em dia isso parece tão distante da minha realidade, que eu penso nem pensar mais em fazer qualquer coisa.
Sinto falta das tardes vazias, mas cheias de significado e conversa e estudo e calmaria; sinto falta daqueles amores platônicos de 1 semana ou 1 mês ao quais me debruçava em lamuriar; sinto falta de apreciar a lua e perceber o quanto temos em comum; sinto falta do bem-estar; sinto falta da plenitude (se é que um dia eu já o tive); sinto falta de ler meus romances por prazer; sinto falta de estudar pelo motivo mais primordial se não o conhecimento; sinto falta de estar com pessoas que sempre estive em locais que sempre estive, numa dimensão que eu sempre estive antes de comungar uma vida vetada às experiências incólumes de satisfação pessoal; sinto falta de jogar conversa fora com amigos, de escutar músicas novas; sinto falta, literalmente, dos pequenos prazeres da vida.
Quero desistir, mas se eu desisto, outras pessoas se prejudicam e eu não quero prejudicar ninguém.
Quero relevar, mas eu sinto um peso tão grande nas minhas costas e isso me impede de caminhar mais rápido.
Quero possuir a mim, mas só a ideia já parece remota o bastante pra perceber que não sou mais minha e nem sei quando voltarei a ser.
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