Atemporal

Tenho estado tão confusa ultimamente. É bem provável que minha ideia de ter e sentir tenha modificado a minha compreensão de viver. 
Aquelas ruas que um dia foram tão bonitas, hoje em dia são só neblina e árvores de final de outono.
Procurei por tanto tempo um significado dentro de mim que desse significado a essa vida, mas nunca encontrei.
Meus sonhos têm sido estranhos, não mais consigo interpretá-los e vez por outra a imagem daquele moço aparece neles, embora eu não saiba o porquê. 
Num passado remoto, tudo o que eu queria era realizar meus sonhos antes de falecer, hoje em dia eu só quero falecer antes mesmo de realizá-los.
Livros, faculdade, trabalho, filmes, séries, jogos, drogas, festas... Nada disso mais me preenche e o buraco parece crescer cada vez mais. 
Meu quarto é meu refúgio e se eu pudesse, não sairia mais dele.
Sei que por vezes me sinto assim e sempre esse sentimento pesado vai embora e fica em algum lugar por tempo determinado. Esse é o problema, ele sempre retorna e todas as vezes vem mais forte que da última vez.
Um dia, quem sabe, eu consiga acabar com ele de uma vez por todas. E não vou negar, anseio por esse dia.
Sou uma pessoa que sabe de todos os seus erros e ao invés de modificá-los, torna a errar por gostar da dor que sente quando seus erros são cometidos.
Busco a plenitude como quem busca saber quem viera primeiro, se o ovo ou a galinha. 
Espero que esse esperar não se torne uma esperança e me decepcione mais uma vez. Meu sadismo é debilitado e sofro por assim ser. 
Estou tentando buscar nas coisas simples aquele significado que falei no começo, mas nem as coisas simples me saciam mais. 
Não sei por onde devo começar essa tal busca insólita, mas sei onde ela termina.

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