Meus Pontos Finais

E começarei citando-a: "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."

(Clarice Lispector)

Por que os humanos sempre tendem a recorrer a alguém para desabafar, quando na verdade apenas eles mesmos podem resolver seus problemas? Precisam crescer e talvez isso demore mais do que já tenhamos calculado. Ingenuidade não é mais um dos meios pelos quais podemos recorrer. Ingenuidade no que diz respeito à vida, é sinônimo de tolice. Ou não.

Apesar da obviedade das palavras, sinto necessidade em escrevê-las: as descobertas vividas são bem mais difíceis que às teóricas, por assim dizer. Viver é mais profundo que nosso real conhecimento sobre viver. É avassalador, destrutivo, eficaz etc. e todos os seus antônimos. Viver é tão ambíguo e não equivale ao saber viver, pois são definições estupidamente diferentes. 

Saber concerne ao conhecimento (podemos colocar aqui como um conhecimento teórico), enquanto viver é jogar-se sem saber quais consequências podem ser geradas, sem saber com o que está lidando. Viver é ser cobaia de um experimento de nenhuma forma esclarecedor; é entrar numa casa desconhecida e escura, onde tateamos para apenas assim não esbarrarmos em algo e cair, e que mesmo assim caímos por desconhecer aquele chão e aquelas paredes e aquele móveis e estar às cegas.

Esperamos em vão que coisas tidas ao nosso ver como inesperadas, porém extremamente boas, aconteçam. E geralmente, elas não acontecem. Milagres não acontecem todos os dias e nem para todas as pessoas.
Essa esperança humana chega a comover, mas é de um teor tão infundado, tão ilusório, tão homogêneo...

Apesar da história ter se repetido, dessa vez teve um caráter diferente. Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo é o que parece ser. 
Eu me culpo apenas por ter conhecimento de como lidar com essa situação, mas mesmo assim ter calado minha razão parar dar lugar à emoção. Mais uma vez.
Essa mania de sempre sabotar-me, se tornou insustentável. 
Os pontos finais são pontos finais e eu sempre tento transformá-los em pontos-vírgulas ou até mesmo em reticências. Embora meu íntimo agora insista em gritar: "Meu ponto final. Meu conto acabado. O jogo acabou. Fim.".

Encerrarei também com ela: "É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."

(Clarice Lispector)

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