''De Novo''

Eu costumo me esquecer do mundo, isso inclui as pessoas que nele estão inseridas. Mas infelizmente, eu foco em outras, que por ora, acredito serem de outro mundo. Isto é, acredito fazerem parte do meu mundo, meu pequeno mundo, meu mundinho seleto, o qual dou tanta importância, que acabo esquecendo de viver o real mundo, aquele em todos habitam e que habito e que me esqueço de habitá-lo. Eu sou assim... vulnerável, fraca, tola, iludida, insana. A certeza de que um dia estas folhas que estão no chão irão sumir e que novas folhas brotarão nas minhas belas árvores, nas árvores que são só minhas, deixa um espaço preenchido e ao mesmo tempo vazio dentro de mim. Saber que novas folhas nascerão, é o meu fuzilamento, é o meu carma temporário, é o meu exílio do mundo real. Ao mesmo tempo é o surgimento de novos sentimentos, novas pessoas, novas sensações, novos ares, novos suspiros, novos pensamentos. É o que podemos chamar de ''tudo novo de novo''. 

Não sei se ainda aguento esse ciclo interminável, não creio mais suportar as feridas que esse outono sempre me inflige. Talvez eu queira viver tudo isso ''de novo'', embora no fundo eu saiba que não aguento mais as dores e aflições que isso me acarreta. Talvez eu deva tentar me acostumar com o real possível, talvez eu deva tentar viver sem querer viver ''de novo'' e por assim dizer, viver o vivível. Já não me encontro em músicas nem em letras, muito menos em dança. Tudo se tornou tão mais do mesmo, que essa ânsia é quase incontrolável e o ''de novo'' surge ''de novo''. Eu gosto de outonos, gosto muito mais dos invernos, mas a primavera... Eu não consigo suportar. Talvez eu viva o verão, talvez eu esquente com ele e talvez o mundo possa virar o ''meu mundo'' como já foi um dia.

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