Lua Vermelha

Ela estava no mar contemplando as nuvens, aquelas nuvens que às vezes tomam formas engraçadas. Gostava de imaginar formas até que não condiziam com os formatos reais das nuvens.
Gostava de viver nas nuvens, de imaginar-se tendo uma vida sólida e promissora em meio a tanta "maciez" e brancura. Ela achava que apenas nas nuvens ela era capaz de moldas as situações, as experiências de vida, as vontades, as crenças e o seu verdadeiro destino. O destino que ela acreditava ser o dela, não aquele que dizem que Deus determinou.

Gostava de ver sua face refletida, pois imaginava ser a face de outra criatura. Tudo o que refletisse sua face tinha um significado não muito comum, porque de fato ela não se via, ela via o que ela gostaria de ver, o que ela gostaria de ser.

Os dias tendiam a ser menos duradouros que as noites. Suas noites eram por demais intensas e a faziam sentir-se viva. Seus hábitos noturnos pouco convencionais aos olhos da maioria, eram proveitosos em gênero, número e grau, pois ela sentia que ao menos um período era controlado restrito e estritamente por ela. Geralmente quando ia à praia, gostava de admirar o luar sobre o Mar, gostava de imaginar que ambos poderiam ser um só toda vez que via a imagem da Lua refletida no Mar. A Lua fazia parte do seu ritual noturno, ela tinha uma característica peculiar. A Lua podia aconselhar e conversar diretamente com ela, e diferente da vida que ela levava, ao qual as pessoas intitulavam de destino dado por Deus, ela podia ao menos ter esperanças de que tudo se resolveria seguindo os conselhos da Lua.

A Lua que se unia ao Mar não era a mesma Lua que todos viam mas não enxergavam. Aquela Lua escarlate, tinha propriedades distintas da Lua que todos viam. Aquela Lua fazia ela se sentir poderosa, capaz e essencial; o que não acontecia durante o dia, que a fazia não simpatizar com o dia era justamente o fato de se sentir dominada ao invés de dominar. 

A Lua vermelha unida àquele Mar verde beirava a perfeição. Suas perguntas à Lua brotavam e eram respondidas quase que instantaneamente, suas dúvidas mais internas eram sanadas por ela. A Lua era como uma mãe, mas como toda mãe sempre tem que dar adeus a uma filho, a Lua vermelha a abandonava assim que o Sol surgia.

Por não aguentar as despedidas da Lua, ela entra no Mar e pede para que dentro dele ela possa viver e assim não mais ter que despedir-se de sua Lua, assim não sentir mais a dor que sente a cada despedida e assim poder viver eternamente aos reflexos da Lua vermelha.

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