186
Observo enquanto estou
sentada, observo quem sobe, quem desce, eu apenas observo e percebo a confusão
daquilo tudo. Tantas pessoas num mesmo local, pessoas, pessoas diferentes, mas
pessoas. Por quê? Por que existe a necessidade de misturar tantas pessoas num
mesmo lugar, por que essa dependência humana, eu só quero saber: por quê? Existe
um rapaz do meu lado, ele está tamborilando com os dedos na mochila, ele faz um
som, um som que para mim não faz sentido. Tento ler um livro, tento mesmo que
seja impossível, pois não consigo parar de me concentrar nas pessoas que estão
ali comigo, naquele lugar tão típico, que na verdade é um ônibus. Eu considero
como um lugar, porque comporta pessoas, se há pessoas é um lugar, para mim
é um lugar, mesmo que seja um lugar confuso.
Esse rapaz que está ao meu lado prende minha atenção também, mais do que os outros passageiros, ele me toma silenciosamente, ele sem querer me faz pensar nele, ele é alguém que eu nunca convivi, mas algo dentro de mim sabe que existe qualquer tipo de conexão entre nós. Que conexão? Eu nem conheço o rapaz e mesmo assim acredito piamente que haja algo entre nós. Eu devo estar enlouquecendo, devo estar delirando deliberadamente. Esse rapaz, ele sim, ele me tem para si como mais ninguém. Como posso me dar para alguém desconhecido, como posso ser insana a tal ponto? Preciso me consultar.
Mas voltando aos passageiros... Eles têm uma singularidade, cada um tem uma história, história a qual talvez eu nunca saiba, entretanto, cada uma com seu significado, cada uma contando o que podemos distinguir por viver. O que são essas pessoas? Quem elas são? São mesmo pessoas ou apenas passageiros desta viagem, da viagem chamada vida? Eu me interrogo sem nada saber sobre isso, sem nada saber sobre elas, mas por que faço isso? Não tenho nada melhor para fazer? O que faço é incorreto, é indecente, é irrelevante, é imoral? O que estou a fazer? Qual o sentido? Não importa, pois sei que intimamente deve ter um sentido, mesmo que vago, mesmo que profano, mesmo que distinto.
Esse rapaz que está ao meu lado prende minha atenção também, mais do que os outros passageiros, ele me toma silenciosamente, ele sem querer me faz pensar nele, ele é alguém que eu nunca convivi, mas algo dentro de mim sabe que existe qualquer tipo de conexão entre nós. Que conexão? Eu nem conheço o rapaz e mesmo assim acredito piamente que haja algo entre nós. Eu devo estar enlouquecendo, devo estar delirando deliberadamente. Esse rapaz, ele sim, ele me tem para si como mais ninguém. Como posso me dar para alguém desconhecido, como posso ser insana a tal ponto? Preciso me consultar.
Mas voltando aos passageiros... Eles têm uma singularidade, cada um tem uma história, história a qual talvez eu nunca saiba, entretanto, cada uma com seu significado, cada uma contando o que podemos distinguir por viver. O que são essas pessoas? Quem elas são? São mesmo pessoas ou apenas passageiros desta viagem, da viagem chamada vida? Eu me interrogo sem nada saber sobre isso, sem nada saber sobre elas, mas por que faço isso? Não tenho nada melhor para fazer? O que faço é incorreto, é indecente, é irrelevante, é imoral? O que estou a fazer? Qual o sentido? Não importa, pois sei que intimamente deve ter um sentido, mesmo que vago, mesmo que profano, mesmo que distinto.
Eu sei, alguns escutam música, outros pensam no que fazer, no amanhã, enquanto outros pensam no passado, falam ao celular, discutem internamente consigo próprio, leem ou talvez estejam no ócio. A singularidade que antes pensei que eles tinham, na verdade é uma pluralidade, porque quase todos no fundo têm o mesmo sentimento, vivenciam uma mesma vida, num mesmo lugar, num mesmo pensamento, numa pluralidade existente apenas neles, no que eles passam, vivenciam.
Eu sei, a banalidade e importância de tudo me fazem querer gritar, me fazem querer ajudar, chegar perto, da mesma forma que fazem desesperar-me, embora tenha algo dentro de mim que chama, implora minha paciência, minha passividade diante disso, diante da vida e das pessoas.
Sendo assim, me vejo de mão atadas, me vejo presa a mim, às pessoas que nunca conhecerei, no rapaz que talvez nunca mais veja, no lugar que nunca mais será o mesmo quando dali eu for embora. Penso que pensei demais, numa viagem tão curta e tão longa, que mais pareceu um encontro, um encontro comigo mesma, um encontro com todos ali. É nesse pensamento, nessa conclusão que percebo que está chegando minha parada, tenho um lampejo, percebo que aquilo que vivenciei ali com ninguém e com todos ao mesmo tempo, vai ficar na minha memória mesmo que irrelevante, mesmo assim, eu sei. Levanto-me e desço para nunca mais, do ônibus 186.
Comentários
Postar um comentário